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Enfim, as razões de meu voto em Dilma

Milito há muitos anos. Entre movimentos e militância partidária, lá se vão vinte e três ou vinte quatro anos dos meus quase trinta e oito de vida. Já nem tenho mais muita memória da época em que minha vida era dissociada das lutas. Mas nenhuma eleição tem sido tão simbólica pra mim quanto esta, que se encerra no domingo.
Antes de mais nada quero reafirmar aqui as razões pelas quais voto e recomendo o voto em Dilma. No final das contas o centro da questão continua sendo, como sempre foi, a economia do país. É a opção pelo caminho da economia quem dita todo o resto e aí o modelo defendido pela petista é bastante diferente do defendido pelo tucano.
Este não é um texto onde se pretenda uma profunda análise econômica, mas não poderia deixar de mencionar a loucura maior dessa história. É que boa parte desse imenso exército que se formou de antipetistas, é justamente composta pelos maiores beneficiados pela política econômica dos governos petistas.
Veja só, a receita dos tucanos para qualquer resfriado ou gripezinha é a fórmula padrão do FMI, qual seja, elevação das taxas de juros, diminuição do crédito e busca de recursos internacionais por meio de empréstimos pra cobrir os buracos deixados pela queda do consumo no país. Sim, essa política gera desemprego, diminui o tamanho do mercado interno e segura salário e renda, por isso contém a inflação. Se poucos tem algum dinheiro para consumir, então, por óbvio a lei da oferta e procura vai derrubar a inflação.
Quem dança com esse modelo? Ora, a princípio os trabalhadores comuns, assalariados. Depois, virão os pequenos comerciantes e prestadores de serviço, até que a situação atinge uma boa parte da classe média.
A política econômica dos governos petistas é a tal desenvolvimentista, que segue por caminho diverso. Ao invés de provocar a redução do consumo, segue exatamente para o outro lado, o de criar um imenso mercado de consumo interno. É esse mercado, regado com oferta ampla de crédito, financiamentos e obras estruturantes que geram muito emprego, que permite fazer girar a roda da economia em épocas de crise do capitalismo, como a que vivemos.
É interessante ver que essa massa consumidora mantém vivos os pequenos comércios, o setor de serviços e tudo o mais. E é justamente desse pessoal que vinha acontecendo a maior gritaria anti-PT, o que, ao que parece, foi revertido nesses últimos dias.
Pra ser mais claro em termos práticos sobre o que essa política significa, pego o caso do Nordeste brasileiro. A estupidez de quem afirma que nordestino vota no PT por causa do bolsa família só não é maior que a capacidade de desenvolvimento daquela região. Com essa política, o Nordeste saltou de 4,8 mi de trabalhadores com carteira assinada em 2002, para 8,9 mi em 2013. A economia na região no primeiro trimestre deste ano cresceu 2,55%, enquanto que no resto do Brasil cresceu 0,6%. Por que? Porque lá havia condições concretas para incluir no mercado consumidor milhões de famílias. E ainda assim há quem ache que tudo por lá gira em torno do Bolsa Família.
Essa política econômica aliada aos programas sociais que protegeram quem não conseguiu se beneficiar do bom momento do país fizeram verdadeiras revoluções. Exemplo maior é a saída do Brasil do chamado mapa da fome.
Explico melhor, há muitos anos a ONU criou o tal mapa da fome. Em 2002 o Brasil aparecia nesse mapa, pois pouco mais de 10% de sua população reconhecidamente passava fome. Este ano, pela primeira vez em nossa história, o país deixou de figurar nesse mapa. Para a ONU, quando o percentual de pessoas em situação de fome é reduzido para menos de 5%, já é hora de tirar o lugar do mapa, ou seja, é hora de se reconhecer que vencemos a fome. Confesso, aqui reside meu maior orgulho em participar desse projeto. E participo como cidadão, militante. Nunca tive e nem ambiciono ter algum cargo no governo federal.
Por fim, quero dizer aos que aderiram ao antipetismo em razão das sucessivas denúncias de corrupção que também tenho tranquilidade quanto a isso. Tenho muita clareza de que sob esse tema não se trata de apontar o dedo para o partido “a” ou “b”. Trata-se de perceber que é nosso modelo político-eleitoral que é corrupto. É isso que tem que ser combatido. É preciso mudar profundamente as formas de financiamento de campanhas, a lógica e o método das emendas parlamentares e modernizar a lei de licitações e contratos do poder público. Sem essas medidas, governo pode entrar, governo pode sair e tudo haverá de continuar exatamente como antes. Ainda digo com certeza que no governo petista ao menos as denúncias são apuradas, nos do PSDB são solenemente engavetadas.
Sei também que no campo dos serviços públicos o Brasil precisa avançar muito, mas também sei que isso responsabilidade dos governos municipais e estaduais, além do Federal. Então porque quem votou na eleição ou reeleição de atuais prefeitos e governadores miram tanto na qualidade dos serviços federais? Porque é para isso que somos adestrados, pra acreditar que todo o mal do mundo é vermelho e que do lado tucano só há bondade e ternura.
Enfim, respeito as opiniões diversas, mas queria deixar aqui, antes do segundo turno, algumas das razões pelas quais voto e recomendo o voto em Dilma neste domingo.
Bom voto pra todos nós e que tenhamos um Brasil mais justo e fraterno.

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Categorias:Uncategorized
  1. Reinaldo Domingues da Costa
    25/10/2014 às 14:51

    Republicou isso em Donalrei.

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