2. Se o PT governa há quase 12 anos, não mudou o modelo eleitoral porque não quis… (como diria Compadre Washington, “sabe de nada, inocente”)

Aí então você vai dizer: -ah, mas o PT governa o país há quase 12 anos, não mudou isso tudo porque não quis, certo? Errado. Aí vai mais uma particularidade de nossa capenga democracia. Por aqui quem elege o chefe do Executivo normalmente não elege maioria no Legislativo. Novamente no caso petista, o partido da Presidenta só alcançou 20% das vagas na Câmara Federal, ou seja, não tem voto pra aprovar nada sozinho e precisa fazer essas complicadas amarrações pra construir um governo de coalisão, onde se misturam água e óleo.

Minha óbvia opinião sobre isso, portanto: 1- Sob o ponto de vista dos governos em si, de programas, projetos e resultados, o do PT continua sendo muito melhor que os outros e essa é a primeira razão pra que eu continue defendendo a continuidade desse projeto; 2 – Antes de mirar na briga de torcidas, que só afasta o torcedor dos estádios, no nosso caso das urnas, daí a enxurrada de votos brancos e nulos da última eleição, é preciso mirar numa reforma política e eleitoral séria, que acabe com o financiamento privado, que proíba coligações proporcionais, que discuta o voto em lista fechada, que aprofunde os mecanismos de democracia direta, como plebiscitos e referendos; 3 – As regras com as quais nós (progressistas) enfrentamos as eleições não foram criadas pelo nosso campo. Foi a direita quem as redigiu. Foi o mesmo pessoal que inventou uma série de leis que olham o tempo todo pra uma forma de levar vantagem. Nós não a inventamos, mas é com base nessas regras que temos sido obrigados a jogar até aqui. E nos dispomos a fazê-lo porque acreditamos que é pela via democrática que podemos integrar milhões de brasileiros a uma sociedade mais justa e solidária, mesmo que isso leve tempo. 

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3. As manifestações do ano passado disseram muito, mas nem todos ouviram!

Há uma evidente cobrança de novos setores da classe média em relação a qualidade dos serviços públicos e dos regulados. Essa galera toda ingressou recentemente no sedutor mundo do consumo. Tiveram a oportunidade, e aqui deixe-se registrado que em governos que seguiam outros modelos isso era simplesmente impossível, de morar e viver melhor.

No entanto, essas mudanças ficaram restritas a parte de dentro de suas casas. Compraram eletrodomésticos, eletrônicos, carros e financiaram suas casas. Mas do lado de fora, a saúde continuou precária, o trânsito, a segurança e a educação pioraram. Os serviços regulados, ou seja, telefonia, internet, saúde privada, etc, ficaram mais caros e também piores. Aí, óbvio, o povo todo se sacudiu.

O raciocínio lógico: – poxa, essa qualidade de vida sempre foi privilégio da classe média, agora que chego nela a coisa desanda… Pois é!

Dilma entendeu. Lançou o Mais Médicos (e isso não é pouco), propôs uma reforma política séria (assassinada pelo Congresso) e botou dinheiro em infra-estrutura urbana. Isso demora um pouco a aparecer, mas aos poucos começará a dar as caras.

A linha de campanha da Presidenta, portanto, está traçada. Mudanças, mesmo que isso provoque reações violentas de setores conservadores, naquilo que se fizer necessário e manutenção e aprofundamento das políticas que tem dado certo. Não tem segredo, nem susto.

O outro lado diz o que? Deliberadamente que não se intimidará em adotar medidas anti-populares para conter a inflação. Vale a tradução disso – como é mesmo que os governos do PSDB “continham” a inflação? 2 regrinhas básicas: 1. Reduzir o consumo. Como? Alta dos juros, diminuição do crédito e consequente geração de desemprego. Com menos dinheiro nas ruas, menos consumo. E está criado o maldito círculo depressivo que segura a inflação. 2. Redução da máquina, também conhecida como privatização do que aparecer pela frente. Aí algum “antenado” vai dizer que se tivessem privatizado a Petrobrás esses escândalos não estariam acontecendo. Novamente dou razão ao Compadre Washington, o rolo da Petrobrás é bem outro, tem a ver com o Pré-Sal, a espionagem norte-americana a Dilma, a mudança do cenário internacional e, em última análise, aos buracos do capitalismo. Sim, em grandes empresas a corrupção não é novidade, acontece na estatais tanto quanto nas privadas. Aí nada mais a ser dito, senão o necessário combate e isso a Polícia Federal está fazendo. Ou não? Aliás, quantas vezes você ouviu falar em operações da PF em empresas ou órgãos públicos no governo FHC. E não venha me dizer que é porque lá não havia aparelhamento ou corrupção, porque senão vou ter que dizer que você devia morar com o Compadre Washington de uma vez por todas pra ouvir aquela frase o dia inteiro.

Nasceu nosso Francisco: relato de um parto domiciliar humanizado

FranciscoAntes de mais nada, deixo claro que a defesa que faço em relação ao assunto deste texto é a de que mães e filhos devem ter o direito ao acesso a um parto humanizado, seja ele domiciliar ou hospitalar. Entendo ser a cesárea um procedimento que salva vidas, mas que tem sido usado de forma desmedida e desnecessária.

Eu e Rita, minha esposa, só fizemos a opção pelo parto domiciliar porque não encontramos nenhuma possibilidade de o Francisco nascer sem intervenções em um ambiente hospitalar, então decidimos por nossa casa.

Foi tudo tão bem, de forma segura e natural, que resolvi compartilhar a experiência no relato que segue, até como forma de estimular outros casais a também questionarem as “linhas de montagem” estabelecidas em nossos hospitais, onde os riscos para os administradores e médicos são mínimos, mas as intervenções são claramente exageradas.

Segue o relato:

Me desculpem o texto longo, mas queria deixar aqui meu relato do parto do nosso Francisco, que chegou a uma da manhã do dia 7 de fevereiro. Antes disso, eu e Rita mergulhamos em 39 semanas transformadoras. Desde que soubemos da gravidez perdi a conta de quantas e quantas vezes ouvimos de amigos que já tinham filhos que agora nossas vidas iriam mudar. Nunca duvidei disso, mas confesso que não imaginava que essa mudança toda acontecesse já no período de gestação e com tanta intensidade exatamente no dia do parto.
Não dá pra escrever tudo o que eu gostaria sobre as 39 semanas, exigiria uma quantidade de linhas que acho que só os muito próximos se interessariam em ler e este texto perderia então o seu propósito. Aliás, só estou escrevendo-o porque precisamos muito desses relatos pra concluir pelo parto domiciliar. Espero que este sirva de estímulo também a outras famílias.
Considero que eu e Rita somos antes de mais nada humanistas. Eu sempre militei de forma racional nisso, em movimentos de Direitos Humanos, etc. Ela sempre teve um espírito humanista. Suas ações, suas intuições, suas emoções sempre mostraram uma clara vocação humanista, mesmo que ela nem desse muita bola pra isso.
E foi por causa desse espírito humanista que antes mesmo de ela engravidar eu acompanhava de longe movimentos que discutiam o parto humanizado. Então, quando ela ficou grávida uma das primeiras coisas que fizemos foi procurar esses grupos de apoio, encontramos o Ishtar e o Parto de Gente, dois grupos que foram fundamentais para o nosso processo de transformação.
Acho que além dos grupos, foi o filme O Renascimento do Parto e a leitura o que construiu nossa convicção. Mas não foi nada fácil.
A medida em que acumulávamos informação iam surgindo os conflitos entre a realidade e nossos medos. A realidade apontava para a verdade de que não conseguiríamos o parto humanizado que sonhávamos se não fosse em casa, mas nossos medos ainda nos empurravam para um hospitalar.
Me lembro que na primeira ou segunda consulta com a obstetra que começou a acompanhar a gravidez, tratamos de falar do nosso desejo pelo parto normal. A médica disse que isso teria que ser conversado mais adiante, por volta da 36ª semana. Aí veríamos se seria possível o normal. Foi a última vez que a vimos, rs.
Trocamos de médico e esse topava bem a conversa, mas aos poucos fomos percebendo que apesar de entender perfeitamente a fisiologia do parto, insistia em lançar mão de alguns recursos que facilitam a vida dos médicos, nem sempre facilitando a das mães e dos bebês. Mesmo assim, fomos com ele até o final do pré-natal.
E no meio de todas as informações que fomos reunindo durante as 39 semanas veio a inevitável crise. Aquele momento de enfrentar a realidade. Fui o primeiro a achar que estava convencido de que o parto domiciliar era o melhor caminho. Só achei ter sido o primeiro, na verdade ainda não estava convencido.
Aí um dia conversando com a Rita sobre as intervenções que seriam feitas no bebê se o parto fosse hospitalar, ela começou a chorar e a dizer que estava com pena do Francisco, tão pequeno, sem ter como se defender e já tendo que passar por tudo isso. Naquele dia percebi que a semente estava plantada, em algum tempo ela estaria firme na ideia do parto domiciliar.
Foi o que aconteceu. E quando ela estava convencida, foi a minha vez de ter de enfrentar meus medos. Principalmente quando o obstetra, e já estamos falando da 34ª ou 35ª semana de gravidez, nos diz que aceitaria fazer o parto da forma como quiséssemos. Que poderíamos levar nossa própria pediatra, nossa doula e que aceitaria fazer o parto sem utilizar o “sorinho” de ocitocina e a anestesia. A oferta era muito tentadora, mas hoje vejo que foi essa proposta o que nos levou definitivamente para o parto domiciliar, porque fui até um hospital para buscar informações sobre essa possibilidade de parto humanizado hospitalar. Tive que entrar no hospital e só precisei disso. Não precisei nem fazer as perguntas que queria pra entender que ali não era lugar de nascer.
A Rita sequer chegou a ir até algum hospital e novamente quem foi fundamental na formação de sua convicção foram os grupos de apoio. Dali ela tirou sua certeza.
Passado esse trajeto todo, fechamos a equipe , aliás a sensacional equipe, que faria o parto e passamos a nos preparar.
Com 39 semanas e 1 dia de gravidez, fomos ao pré-natal sabendo que o médico pediria para fazer o exame de toque. Sabíamos, tínhamos ouvido diversos relatos negativos a respeito e tudo o mais. Mesmo assim confiamos em nossa relação com o médico. A Rita só pediu a ele que só fizesse mesmo o toque. Ele fez o exame e disse que ela já estava com 3cm de dilatação. Depois que terminou disse que havia rompido a membrana… Sim, tínhamos as informações, sabíamos que muitos médicos tomam as decisões por conta própria e que lançam mão de determinados procedimentos de indução sem consultar ninguém. Mesmo assim concordamos que deixaríamos que ele fizesse o exame, e ele foi além do combinado.
Ficamos sem saber muito o que falar. Ele nos disse que a partir daquele momento ela começaria a ter contrações e que fossemos pra casa e aguardássemos por duas horas, se as contrações passassem, que ficássemos tranquilos, do contrário que poderíamos seguir para o hospital. Ficamos putos, revoltados, mas tudo acabou dando certo porque a equipe que nos acompanharia estava a postos e tudo poderia ser resolvido rapidamente caso o quadro evoluísse mesmo para o parto.
As contrações de fato começaram e não pararam naquele dia. Começaram as 19h, fomos pra casa e rapidamente chegou a Gleise, nossa doula. Ela ficou com a Rita até a manhã seguinte acompanhando a evolução das contrações. Claro que não fomos para o hospital. Por volta das 7h essas contrações começaram a se espaçar e então vimos que ainda não era a hora. Dormimos um pouco e perto do meio dia as contrações começaram a ficar mais próximas e fortes novamente. Pouco depois a Rita já não sairia mais da posição em que se colocou por várias horas. Introspectiva, controlava as dores com a respiração e estava claro que a situação evoluía.
Acho que eram 18h ou pouco mais que isso quando chegou a Priscila, que com a Giovana fariam o parto horas depois. Ela já estava monitorando a situação a distância desde o dia anterior e quando chegou foi direto fazer o toque pra ver como estava a dilatação. Estava completa. Chamou o restante da equipe e disse que Francisco estava a caminho.
Em casa, tínhamos montado tudo para que o parto acontecesse na parte de cima do sobrado. Mas no meio do caminho a Rita foi se aninhando na parte de baixo, entre a sala e o banheiro e dali não sairia tão cedo.
O clima era absolutamente diferente do de um hospital. Conversávamos, ríamos. A essa altura a equipe já estava completa, Giovana, Ariane e Andréa também já estavam conosco.
Em alguns momentos o ambiente ficava descontraído, me lembro de forma mais viva de alguns desses momentos, como quando a Rita resolveu tomar banho de mangueira no quintal. Eu sentado conversando na sala e de repente a vejo brincando como criança com a água no quintal, mesmo com alguma expressão de dor. Também teve um outro momento engraçado quando em meio a uma contração forte a Andréa, pediatra que nos acompanhava, disse a ela algo do tipo: “força Rita, o Joaquim está chegando”. Ela respirou, fez a força que deveria, esperou a contração passar, respirou e disse calmamente: é Francisco, começamos a rir e a Andréa disse: percebi logo que falei, mas não dava para voltar atrás e ficar explicando o erro no meio da contração, né?
Também houve momentos muito íntimos. Na verdade, tenho a certeza absoluta de que nunca estive tão conectado a Rita como nesse dia.
A bolsa só se rompeu por volta das 22h e aí veio o período expulsivo que durou mais de três horas. Não tenho a menor ideia de onde a Rita tirou tanta força. Essa mulher abaixava, levantava, parecia exausta, mas não parava. Quando eu dava as mãos a ela para que segurasse durante as contrações ela já não as apertava mais, acho que só tinha energia pra fazer a força necessária para o nascimento, já não gastava mais nada apertando minhas mãos.
Os minutos finais foram no banquinho, colocado então em nossa sala. Sentado no sofá eu a apoiava por trás e dali, abraçado a ela, vi nascer o Francisco. Assim que ouvi o primeiro choro desabei a chorar e quando olhei pra ela achando que também estava chorando, não…, estava rindo, um riso emocionado, de alívio, de alegria, o riso mais lindo que já vi. Francisco chegou com 4kg e 52cm. Esse tamanhão todo não foi suficiente para que fosse necessária qualquer intervenção agressiva, sem anestesia, sem epísio, sem sorinho. Quem trabalhou mesmo foi a Rita, o Francisco e toda a maravilhosa equipe que nos acompanhou.
Francisco ficou em seu colo por mais uns vinte minutos, até que o cordão parasse de pulsar. Quando isso aconteceu me foi dada a lâmina para contá-lo. Em seguida a placenta se soltou e saiu.
Então a Rita foi até o quarto para receber os cuidados de que precisava. Sim, depois de um parto longo ela simplesmente subiu as escadas e foi para o quarto. Fiquei com o Francisco o tempo necessário e logo em seguida o levei a ela, que já levou-o ao peito.
A equipe ainda permaneceria conosco por mais algumas horas. Fizemos uma macarronada por volta das duas da manhã, comemos e toda a assistência necessária a um parto seguro foi dada.
No final, quando todos se preparavam para ir embora perguntei a Dra. Andréa como deveria colocar o bebê para dormir. No berço? Em que posição? Coisas de pais de primeiro filho. Ela riu e disse para dormíssemos eu, Rita e o bebê juntos, na mesma cama. Eu relutei, falei que poderia rolar durante a noite e machuca-lo. Afinal estava exausto, foram quase duas noites em claro. Ela me disse pra ficar tranquilo e entendi que o instinto paterno não me deixaria machucá-lo. Aquilo tudo me fez virar pai muito rapidamente.
Nos despedimos, a equipe toda se foi e ficamos em casa somente nós três numa indescritível conexão. Sobre isso, gostaria de conseguir explicar melhor, de escrever com detalhes, mas não consigo. É impossível explicar esse elo criado entre nós três naquele momento. Só depois me dei conta de que se estivéssemos em um hospital, provavelmente naquele momento a Rita estaria no quarto, Francisco no berçário e eu feito um louco tentando me dividir entre um lado e outro. Aquele momento de conexão não existiria. Pelo menos não naquela noite. Foram horas incrivelmente intensas e que me fizeram instantaneamente um pai.

A Globo e os protestos

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Opa, Reforma Política? E com participação popular?

Reações comuns de Aécio e Serra sobre a reforma política com participação popular proposta por Dilma: ABSURDO. E Aécio não é hoje um político qualquer, é senador, presidente nacional do PSDB e pré-candidato a Presidente da República. E o cara não quer as mudanças estruturais. Nem é difícil entender a razão disso.

O maior erro do PT desde a chegada ao governo foi acreditar que fazer melhor que os outros no mesmo modelo em que eles governavam bastaria. Não basta. Os sonhos que movem a sociedade pedem mais. Num primeiro momento, a soma de ajustes administrativos, programas sociais e uma boa dose de altivez pra olhar o mundo de cabeça erguida resgata vidas, dignidade de quem estava excluído e a autoestima de muita gente. Mas essa mesma gente acaba gostando disso e querendo mais.

A princípio, o que a maioria quer é simplesmente o direito de ter o seu carrinho, morar com dignidade, ter a mesa abastecida. Mas a medida em que isso vai sendo contemplado, as pessoas vão percebendo que isso é pouco, que é preciso que o trânsito permita que seu carrinho vá pra rua, ou que haja transporte público barato e de qualidade, que a saúde funcione, que haja vaga em creche e a consciência desperta. Então já é possível entender que governar com o modelo que está aí não avança mais que isso. Pra combater a corrupção, é preciso mexer nas estruturas, pra se ter mais dinheiro pra aplicar, é preciso enxugar a máquina onde ela exagera e tornar o sistema tributário mais justo. Taxar grandes fortunas, discutir impostos como o IPTU progressivo, onde se privilegie o proprietário das áreas que já cumprem sua função social, como a moradia, e que se penalize os especuladores. As pessoas param pra raciocinar, sim, e chegam a conclusão de que se não houvesse tantos terrenos reservados para a especulação nas áreas centrais, mais gente poderia morar por ali, os preços seriam menores, menos carros teriam que se deslocar, etc.

A vida em sociedade é mais lógica do que parece e não é preciso inventar muita coisa. A grande mudança a ser feita é a de concepção. Há séculos os interesses de grupos governam nosso país, nossos estados e cidades, aliás, isso é muito mais evidente nas cidades.

Há muito a ser feito, a começar pela derrubada de figuras como Alckimin e Aécio (porque Serra já caiu no ostracismo e de lá não sai mais) que agem como procuradores dos interesses da Casa Grande.

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Reforma política 2 – A hora de mexer nas estruturas

ImageHá alguns dias postei um pequeno texto com minha opinião sobre as formas de financiamento de campanhas e as distorções do atual modelo. Pretendia logo em seguida postar este tratando de um outro ponto de uma necessária reforma política no Brasil. Quem diria que num intervalo de tempo tão curto esse assunto iria ganhar contornos tão mais importantes como agora?

Pois é, a moçada está nas ruas e isso é muito legal. Tenho pra mim que nada é mais valoroso na formação da consciência crítica que o conjunto teoria + prática. A geração que se dedica aos estudos da política, dos modelos e dos sistemas, mas que não age, fica chata, cheia de razão que nem sequer tentou testar, guarda aquela impressão de quem não se dispôs a lutar. Os que também só vão pra rua, sem base teórica que sustente essa ação, acabam sendo preza fácil aos que precisam de um gado, de uma massa pra manobrar. Agora, os que reúnem as duas práticas, de formular/estudar e agir, esses sim são os imprescindíveis.

E aí eis que surge uma galera contra todo e qualquer partido político. Será mesmo esse o caminho? Na minha humilde opinião, esse é um erro grave. Aquele tradicional de matar o mensageiro quando o recado é ruim. Os fatos ou o autor da carta, em geral passam ilesos por tudo isso.

Um regime democrático precisa de partidos políticos, não sobrevive sem eles. O problema, portanto, não está na existência dos tais, mas na existência e insistência de quem comanda muitos dos mesmos e no modelo eleitoral brasileiro que permite algumas aberrações.

A luta, portanto, não deve ser posta contra partidos, mas contra a atual estrutura partidária e eleitoral brasileira. Debater as formas de financiamento de campanhas, discutir o voto em lista, debater formas para que se garanta uma representação proporcional real nos parlamentos, com a paridade de vagas para homens e mulheres, por exemplo, o fim das alianças partidárias, sobretudo para as eleições proporcionais. Enfim, há muito a ser feito pra melhorar e aperfeiçoar o nosso modelo. Matar os mensageiros só fortalece os autores da mensagem, no caso, os grandes caciques da política.

Quem vai curar Feliciano?

Tenho a convicção de que o tema que reúne as grandes demandas dos movimentos sociais de hoje continue sendo o dos direitos humanos. Seu leque é amplo  e nele podemos discutir a dignidade sob vários aspectos, inclusive no debate sobre mobilidade, tão atual.

Mas pra muito além disso, assuntos como a reforma psiquiátrica, a legalização da maconha, as “cracolândias”, o casamento de pessoas do mesmo sexo, a desmilitarização das PMs, enfim, tudo encontra eco nesse grande eixo dos direitos humanos.

E agora, justo agora que a galera toda se sentiu disposta a ocupar as ruas e começar a bater bumbo pela redução das tarifas do transporte público, quando tanta gente vai às praças e grita e luta, não é que o tal Feliciano sorrateiramente aproveita a mudança de foco e consegue aprovar em sua comissão o projeto de lei que pretende autorizar psicólogos a procederem “tratamentos de cura gay”. Ousado o cara, não?

Tenho dito e repetido, as manifestações que tem estourado em todo o país não são contra uma ou outra figura da política, são contra comportamentos. As relações do Poder Público com os setores empresariais do transporte, por exemplo. É isso que deve ser combatido, é mudança de paradigma mesmo. E é preciso destacar, o Governo Federal desonerou recentemente o setor e pouquíssimos foram os casos em que vimos a redução de tarifa acontecer. Quem é que está ficando com essa sobra? As empresas? Aquelas mesmas que financiam campanhas? É isso que tem que ser enfrentado, o modelo. Porque se o foco for só o valor das tarifas, isso passa tão rápido quanto passou o projeto do inFeliciano.

O tal deputado, que não deveria ocupar o lugar que ocupa na CDH, vai insistir nessa insana jornada de preconceito. Tenho convicção de que se o projeto andar, Dilma o vetará. Não guardo a mesma certeza quanto ao Congresso acatar ou não esse veto.

Em penúltima instância, acho que o Conselho de Psicologia não adotaria tal medida. Em última, creio que a constitucionalidade da norma pode e deve ser questionada.

De qualquer forma, insana é a sociedade que se sente representada quanto aos Direitos Humanos pelo deputado Feliciano.

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