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Posts Tagged ‘manifestações’

3. As manifestações do ano passado disseram muito, mas nem todos ouviram!

Há uma evidente cobrança de novos setores da classe média em relação a qualidade dos serviços públicos e dos regulados. Essa galera toda ingressou recentemente no sedutor mundo do consumo. Tiveram a oportunidade, e aqui deixe-se registrado que em governos que seguiam outros modelos isso era simplesmente impossível, de morar e viver melhor.

No entanto, essas mudanças ficaram restritas a parte de dentro de suas casas. Compraram eletrodomésticos, eletrônicos, carros e financiaram suas casas. Mas do lado de fora, a saúde continuou precária, o trânsito, a segurança e a educação pioraram. Os serviços regulados, ou seja, telefonia, internet, saúde privada, etc, ficaram mais caros e também piores. Aí, óbvio, o povo todo se sacudiu.

O raciocínio lógico: – poxa, essa qualidade de vida sempre foi privilégio da classe média, agora que chego nela a coisa desanda… Pois é!

Dilma entendeu. Lançou o Mais Médicos (e isso não é pouco), propôs uma reforma política séria (assassinada pelo Congresso) e botou dinheiro em infra-estrutura urbana. Isso demora um pouco a aparecer, mas aos poucos começará a dar as caras.

A linha de campanha da Presidenta, portanto, está traçada. Mudanças, mesmo que isso provoque reações violentas de setores conservadores, naquilo que se fizer necessário e manutenção e aprofundamento das políticas que tem dado certo. Não tem segredo, nem susto.

O outro lado diz o que? Deliberadamente que não se intimidará em adotar medidas anti-populares para conter a inflação. Vale a tradução disso – como é mesmo que os governos do PSDB “continham” a inflação? 2 regrinhas básicas: 1. Reduzir o consumo. Como? Alta dos juros, diminuição do crédito e consequente geração de desemprego. Com menos dinheiro nas ruas, menos consumo. E está criado o maldito círculo depressivo que segura a inflação. 2. Redução da máquina, também conhecida como privatização do que aparecer pela frente. Aí algum “antenado” vai dizer que se tivessem privatizado a Petrobrás esses escândalos não estariam acontecendo. Novamente dou razão ao Compadre Washington, o rolo da Petrobrás é bem outro, tem a ver com o Pré-Sal, a espionagem norte-americana a Dilma, a mudança do cenário internacional e, em última análise, aos buracos do capitalismo. Sim, em grandes empresas a corrupção não é novidade, acontece na estatais tanto quanto nas privadas. Aí nada mais a ser dito, senão o necessário combate e isso a Polícia Federal está fazendo. Ou não? Aliás, quantas vezes você ouviu falar em operações da PF em empresas ou órgãos públicos no governo FHC. E não venha me dizer que é porque lá não havia aparelhamento ou corrupção, porque senão vou ter que dizer que você devia morar com o Compadre Washington de uma vez por todas pra ouvir aquela frase o dia inteiro.

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Viva a luta que se renova!

 

 

É absolutamente imprevisível o rumo que as manifestações que tomam as ruas de várias cidades do país seguirá, certo, no entanto, é que um ciclo histórico está prestes a se iniciar em nossa política.

Situações como a que vivemos agora tem significados diferentes pra cada um que vive esses momentos. Lembro perfeitamente do que diziam em 1992, no Fora Collor. Ali também havia todo tipo de gente nas manifestações, os da paz, os organizados, os espontâneos e uma minoria que não sabia bem o que estava fazendo ali. Essa minoria muitas vezes não sabe bem porque entrou, mas muitas vezes amadurece no meio do processo. Do Fora Collor, saiu uma geração que nunca mais parou de lutar, na qual tenho muito orgulho de me incluir. Que esses novos movimentos produzam igualmente uma nova geração de luta, que não se contente, que não se acomode e que não se deixe enganar.

Não tenho a pretensão de teorizar profundamente a esse respeito neste modesto espaço, só estou mesmo “pensando alto”. Retorno a 1992 e concluo que há uma imensa diferença daquele movimento pro de agora, pra ilustrar destaco que ali havia mesmo uma massa querendo encerrar um governo, agora, a grande revolta não é contra um governo, mas contra uma série de situações limite, que precisam ser tratadas por vários governos, ou seja, não se trata de tirar um e colocar outro, mas de se propor mesmo uma mudança de conceitos e de comportamento. Por exemplo, São Paulo baixar o valor da tarifa não vai resolver o problema do Rio, de BH ou de Sorocaba. Mudar a relação desses governos com as empresas de transporte, sim. Assim como discutir seriamente uma mudança de paradigmas no transporte público. Numa sociedade que está tendo uma condição muito melhor de consumo, como é o caso do Brasil nos últimos dez anos, as demandas mudam, os padrões mudam, as pessoas ficam corretamente mais exigentes frente a prestação de serviços públicos, não só quanto ao acesso e a quantidade, mas, sobretudo, quanto a qualidade, é o caso claro dos gritos em favor de melhores condições de transporte, saúde, segurança e educação. Pode ter certeza, quando as manifestações não forem mais por conta da tarifa, serão por esses outros três motivos.

Enfim, viva a vida que se renova. Viva a luta de quem não se acomoda!

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