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Debate aberto #2: Inclusão digital, software livre e dados abertos

Vivemos na era da sociedade do conhecimento, onde saber usar um computador pessoal e acessar a rede mundial de computadores são pré-requisitos não apenas para o mercado de trabalho, mas para acesso a serviços básicos e o pleno exercício da cidadania.

Apesar disso, o número de pessoas excluídas digitalmente é enorme. Tal fato é preocupante, uma vez que a falta de acesso aos conhecimentos compartilhados definirá, também, o papel que os países ocuparão no futuro. E para os indivíduos, determinará o lugar que eles ocuparão na sociedade, tornando-se, a exclusão digital, uma das piores formas de exclusão.

Assim, uma das principais preocupações de nossos representantes deve ser construir políticas públicas visando a Inclusão Digital. Por sinal, o tema é promessa comum no discurso de muitos, mas inclusão digital não pode se resumir a sentar alguém na frente de uma máquina com Windows e ensiná-lo a usar alguns aplicativos.

Trata-se de garantir, através de políticas públicas consistentes, que as pessoas tenham acesso a equipamentos, individuais ou em telecentros, que tenham acesso à rede mundial de computadores com velocidades de conexão razoáveis e que sejam capacitadas a usar softwares para resolver seus problemas, preferencialmente software livre.

Quando se fala em inclusão digital através do software livre, a principal objeção levantada é que os adolescentes aprenderão a usar sistemas operacionais e outros aplicativos que não seriam “populares” ou “conhecidos”, e, portanto, que seriam pouco usados no mercado de trabalho. Nada mais falso. Quem conhece o mundo do software livre, pode usar tranquilamente sistemas proprietários, como o Windows, e o conjunto de ferramentas MS Office. Será, inclusive, um usuário “avançado” de tais aplicativos, já que conhece outros sistemas.

Além disso, o software livre, aplicado aos esforços no campo da inclusão digital, tem outras vantagens. Em um país que possui uma grande parcela de sua população na pobreza, não pode se permitir gastar milhões de reais dos cofres públicos com licenças de software, quando se tem uma alternativa de qualidade igual ou melhor para determinadas funções ou tarefas.

Por fim, uma sociedade inclusiva digitalmente, também será uma sociedade que fiscalizará melhor seus representantes, uma sociedade onde a democracia será mais aprimorada. Em se tratando da coisa pública, não há garantias absolutas de honestidade. A principal garantia que se pode oferecer aos cidadãos é a transparência completa do que diz respeito ao governo de nossos governantes. Isso só é possível, em última instância, com a adoção de dados abertos e quando a maioria das pessoas souberem acessar tais dados.

O bolo do software livre

Por definição, software livre não é software gratuito (embora possa ser). Estamos falando de liberdade, ou seja, o software livre é aquele que pode ser usado, copiado, estudado, modificado e redistribuído sem restrição.

Por que isso é importante para as pessoas comuns, que não são técnicos e querem apenas usar seus equipamentos de informática com o menor esforço possível?

Em primeiro lugar porque atualmente, e cada vez mais, a maioria dos objetos e serviços que produzimos e consumimos, contém algum tipo de software. Grandes áreas da atividade humana, como a cultura, o jornalismo, a ciência, a medicina, a educação – enfim, quase tudo! – serão radicalmente alterados pelo emprego de software.

Uma boa forma de deixar claro o que é o Software Livre é fazer uma analogia com uma receita de bolo. Você cria uma receita de bolo e a distribui para outras pessoas para que elas também possam fazer o bolo. Algumas dessas pessoas percebem que podem mudar um ingrediente ou mudar algo no modo de preparo para tornar o bolo ainda melhor.

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